Eu estou praticamente o tempo todo ouvindo música, seja no celular, no computador ou na TV, às vezes no YouTube, às vezes no Spotify, não importa o lugar, provavelmente eu vou estar ouvindo música, e esse post é sobre uma dessas vezes que eu estava ouvindo música aleatoriamente. A internet vive nos indicando coisas para conhecer, Pasta, da Angie McMahon, foi uma dessas, salvei pra ouvir depois e fiquei enrolando por semanas, até que um dia eu decidi ouvir, mais porque o nome era engraçado do que por vontade.

Mas acontece que a música não era engraçada, na verdade ela é bem triste, ela começa cantando sobre seu quarto estar bagunçado, seu cachorro doente e ficar muito tempo sentado no bar beijando pessoas na mente dela, e isso é cantado com uma sinceridade que eu não estava esperando. Eu ouvi quase três vezes seguidas, foi ali que eu me apaixonei a primeira vez por ela.

Capa Salt Angie McMahon

Em julho do ano passado ela lançou um álbum, Salt, e apesar de ter ouvido algumas vezes, confesso que tinha me apegado a quatro músicas, Pasta, Slow Mover, Missing Me e Keeping Time, quase todas com clipes devidamente linkados. Até que, alguns meses atrás ela cantou Knowing Me, Knowing You do grupo sueco ABBA e a autoral Soon, no quadro Like a Version da rádio australiana Triple J. O cover ficou lindo, mas foi a autoral que me me pegou.

Essa música havia me passado praticamente despercebido, agora tinha me encontrado, e mais uma vez, uma letra muito bonita e sincera é ouvida. No refrão ela diz que tem escondido de sua mãe suas lágrimas, e que seus pais ainda riem juntos, e ela quer ter um amor algum dia e passar por esse coração quebrado logo, é uma autobiografia, é sincero, e é ainda mais perceptível nessa apresentação, quando ela canta o verso “Oh, what a waste of breath and time” e abre um sorriso tão bonito, então me apaixonei de vez por ela.

Angie McMahon tem um vocal absurdamente expressivo, é uma experiência ouvi-la, porque você entende que aquilo ali não é só postura, não é só atuação, aquilo é ela, é único. Existe uma reclamação sobre ela não abrir a boca e resmungar, mas eu acho que isso funciona muito bem com o que ela canta, é algo muito cru que está forçando sua saída de um jeito quase violento.

Ainda sobre Salt, que entrou na minha lista de favoritos de 2019, gostaria de destacar duas músicas, And I Am a Woman, a letra é bem forte e importante, eu não sei muito o que falar sobre, nem sei se tenho como, ela me lembra vagamente de Body, da Julia Jacklin. E If You Call, que talvez seja a música que consegue sintetizar o álbum todo, voz e violão, uma sensação de caseira, e novamente uma letra muito intimista. Ainda tem o cover de Tom Waits, Take It With Me e a participação na música Slave de Jim Alxndr.

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